Se no primeiro mês parecia que seu bebê passava boa parte do tempo entre mamar, dormir, chorar e trocar fralda, talvez você comece a perceber algumas pequenas mudanças agora.
De repente, aquele bebê que parecia estar apenas observando o mundo começa a olhar mais para você. Parece prestar atenção quando você conversa. Faz uns barulhinhos que não são exatamente choro. Mexe os braços quando você chega perto. E, em algum momento, pode acontecer uma coisa que parece pequena, mas que para quem está vivendo aquele segundo mês é quase um acontecimento histórico: ele sorri para você.E é muito difícil não sorrir de volta.
O segundo mês é uma fase em que algumas habilidades começam a ficar mais perceptíveis. O bebê passa a interagir um pouco mais com as pessoas e com o ambiente, embora ainda seja muito pequeno e passe boa parte do tempo dormindo, mamando e se recuperando de toda essa novidade chamada mundo.
E, antes de continuar, vale repetir uma coisa que foi o ponto de partida dessa série: isso não é uma lista de tarefas para o seu bebê cumprir.
Os marcos ajudam a acompanhar o desenvolvimento e perceber mudanças, mas não devem virar uma competição entre bebês. Os marcos são como habilidades que a maioria das crianças — pelo menos 75% — consegue realizar até determinada idade. Eles são ferramentas de acompanhamento e de conversa com profissionais de saúde.
Então, se o bebê da sua amiga já faz alguma coisa que o seu ainda não faz, respira. O objetivo aqui é conhecer melhor o desenvolvimento, não criar mais uma fonte de ansiedade para a maternidade.
O sorriso começa a ganhar outro significado
Talvez você já tenha visto alguns sorrisos enquanto seu bebê dormia. Aqueles sorrisos que fazem a gente parar tudo para olhar, mesmo sabendo que provavelmente ele nem estava sorrindo porque lembrou da mãe.
Por volta dos 2 meses, porém, começa a aparecer o chamado sorriso social: o bebê pode sorrir quando você fala com ele ou sorri para ele. Entre os marcos dessa idade justamente é sorrir quando o adulto conversa ou sorri para o bebê, olhar para o rosto de quem cuida dele e demonstrar satisfação quando essa pessoa se aproxima.
É uma mudança muito gostosa porque começa a dar aquela sensação de “agora estamos conversando”.
Você fala, ele olha. Você sorri, ele sorri: E pronto: vocês acabaram de ter uma conversa de altíssimo nível.
Não precisa fazer nada sofisticado para estimular isso. Converse olhando para ele, sorria, faça expressões faciais e espere um pouco pela resposta. Essa troca simples já é uma forma importante de interação.
O Ministério da Saúde também orienta conversar com o bebê buscando contato visual e reforça a importância da ligação entre o bebê e sua família desde o início da vida.
E aqueles sons diferentes do choro?
Outra descoberta desse período são os sons.
O bebê pode começar a produzir sons que não são apenas choro — aqueles primeiros “aaa”, “uuu”, grunhidos e outros sons que fazem você imediatamente responder como se estivesse diante de uma conversa importantíssima.
E, para falar a verdade, é uma conversa importante mesmo.
É considerado como marco aos 2 meses o bebê fazer sons além do choro e reagir a sons altos.
Uma brincadeira simples é justamente responder aos sons que ele faz.
Se ele faz:“aaaaaa…”
Você pode responder:“aaaaaa…”
Ele faz de novo.Você responde... e,sem perceber, vocês começam uma espécie de diálogo.
Não precisa corrigir, ensinar palavras ou ficar repetindo sílabas. É muito mais sobre troca e interação.
O Ministério da Saúde também sugere conversar e brincar com o bebê nessa fase e observa que ele pode começar a brincar com a própria voz, tentando “conversar”.
O bebê começa a acompanhar você com os olhos
Outra coisa que pode ficar mais evidente é o olhar.Ele pode observar seu rosto, acompanhar você enquanto se movimenta e prestar atenção por alguns segundos em um brinquedo ou objeto.
É aquela fase em que você percebe:“Ele está me seguindo!”
Nessa fase dos 2 meses o bebê costuma observar a pessoa enquanto ela se movimenta e olhar para um brinquedo durante alguns segundos.Então você pode aproveitar momentos simples do dia para brincar com isso.
Deite o bebê em um local seguro, fique próximo ao campo de visão dele e converse. Movimente lentamente o rosto ou um objeto apropriado, observando se ele acompanha.
Sem ficar fazendo “teste” atrás de “teste”.
Se ele estiver cansado, virar o rosto, bocejar ou começar a reclamar, talvez a brincadeira tenha acabado por aquele momento.
Bebê também tem limite para socialização.
E a cabeça? Começa a ficar mais firme
No primeiro mês, o controle da cabeça ainda é bem limitado. No segundo mês, você pode começar a perceber pequenos avanços.
Quando está de bruços e acordado, o bebê pode conseguir levantar a cabeça por algum tempo. Também começa a movimentar braços e pernas de maneira mais coordenada.Começa a sustentar a cabeça quando está de barriga para baixo, movimentar os dois braços e as duas pernas e abrir brevemente as mãos entre os marcos dessa idade.
Aqui entra novamente o famoso tempo de bruços,ou conhecido agora como tummy time, sempre quando o bebê estiver acordado e com supervisão.
Pode ser no chão, sobre uma superfície firme e adequada, ou em outras posições orientadas pelo profissional que acompanha o bebê. Você pode ficar na frente dele, conversar, cantar ou colocar um objeto apropriado à frente para chamar sua atenção.
O Ministério da Saúde também recomenda colocar o bebê de bruços e chamar sua atenção com brinquedos ou pela voz para estimular que ele levante a cabeça.
Mas existe uma diferença fundamental:
brincar de bruços acordado ≠ dormir de bruços.
Para dormir, o bebê deve ser colocado de costas, em um espaço seguro para o sono. O CDC reforça que, se o bebê ficar sonolento durante o tempo de bruços, ele deve ser colocado de costas em um local seguro para dormir.
Brincadeiras para o segundo mês
Nessa idade, brincar não precisa significar uma caixa cheia de brinquedos.Aliás, provavelmente o bebê vai achar sua cara muito mais interessante.
Você pode:
Conversar olhando para ele
Falar sobre o que está fazendo, cantar ou simplesmente conversar.
Fazer contato visual
Aproxime seu rosto e espere o bebê olhar para você.
Cantar
Não precisa ter voz bonita. O bebê não está no The Voice. 😂
Responder aos sons
Imite alguns sons que ele produz e dê espaço para ele “responder”.
Mostrar um espelho seguro
O CDC sugere colocar um espelho próprio para bebê próximo a ele para que possa observá-lo.
Mostrar objetos simples
Objetos apropriados, seguros e com cores ou contrastes interessantes podem chamar sua atenção.
Colo, carinho e aconchego
Conversar, segurar e acolher o bebê também faz parte do desenvolvimento. O CDC destaca que segurar e responder ao bebê ajuda a fazê-lo se sentir seguro e cuidado — e que você não vai “estragar” o bebê por pegá-lo no colo.
E talvez essa última seja uma das mais importantes.
Nem tudo precisa ser uma atividade de estimulação.
Às vezes, o melhor estímulo é simplesmente estar presente.
E a mãe nesse segundo mês?
Enquanto o bebê começa a sorrir mais, fazer sons e olhar para você, talvez você esteja começando a perceber que também está se adaptando um pouco melhor à nova rotina.Ou talvez não.
Talvez ainda esteja exausta.Pode ser que esteja chorando escondida no banheiro.
Talvez esteja amando ser mãe e, ao mesmo tempo, sentindo falta da vida que tinha antes.
Talvez esteja achando tudo maravilhoso e completamente caótico.
Pode ser tudo isso junto.
O segundo mês ainda é muito recente no pós-parto. O corpo continua se recuperando, o sono costuma estar bastante fragmentado e a rotina ainda pode parecer uma sequência de mamadas, fraldas, colo e tentativas de dormir.
Por isso, quando falamos de “estimular o bebê”, eu também gosto de lembrar que a mãe não precisa virar recreadora profissional do recém-nascido.
Converse quando tiver vontade.Cante quando tiver energia.Faça um pouco de tempo de bruços quando for possível.Dê colo.Descanse quando conseguir.
E, principalmente, permita que exista um pouco de espaço para simplesmente viver essa fase.
Você não precisa transformar cada minuto acordado do bebê em uma oportunidade de desenvolvimento.
Quando vale conversar com o pediatra?
Acompanhar os marcos não significa ficar procurando problemas.
Mas observar também significa saber quando uma dúvida merece ser compartilhada.
Se você perceber alguma coisa que preocupa, se o bebê não estiver alcançando habilidades esperadas para sua idade, se houver perda de uma habilidade que ele já tinha ou se simplesmente alguma coisa estiver deixando você insegura, converse com o pediatra ou profissional que acompanha seu bebê.
A orientação do Ministerio da Saúde é pais não esperem quando existe preocupação e que compartilhem essas observações com o profissional de saúde, mas anote em um bloco de notas para as consultas do mês a mês o que deseja falar com o pediatra, pois na hora pode ser que se esqueça de perguntar/falar.
E uma coisa importante: bebês prematuros podem precisar ter seu desenvolvimento acompanhado considerando a idade corrigida, então a comparação com um calendário de idade cronológica pode não ser adequada em todos os casos.
Por isso, o pediatra continua sendo seu melhor parceiro para interpretar o desenvolvimento do seu bebê dentro da história dele.
Dois meses. E tanta coisa já mudou.
Talvez olhando para aquele bebê pequenininho você ainda tenha a impressão de que nada mudou, mas mudou sim... ele já olha mais, escuta, responde, faz sons, começa a sorrir para você,levanta um pouquinho a cabeça e principalmente, começa a mostrar cada vez mais que existe uma pessoa ali, descobrindo aos poucos como se relacionar com esse mundo.
Então aproveite esses pequenos acontecimentos.
O primeiro sorriso que parece ser para você.
O primeiro “aaa” que vira uma conversa de cinco minutos.
Aquele momento em que ele acompanha seu rosto com os olhos.
São coisas pequenas.
Mas, para uma mãe, algumas pequenas coisas ocupam um espaço enorme no coração.
E seguimos para o próximo mês.
Um mês de cada vez. Sem corrida, sem ranking e sem comparação. Só observando, descobrindo e crescendo juntos. 💜
Leia também: Primeiro mês do bebê

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