A maternidade chega.
Depois de meses(ou até anos) de espera, planos, sonhos, expectativas e aquela vontade enorme de finalmente conhecer quem estava sendo esperado.
E então, um dia, o momento presente acontece.
Você se torna mãe.
E, de repente, tudo muda.
Mudam os horários, o corpo, o sono, os planos, as prioridades, a relação com o próprio tempo. Mudam as preocupações, os desejos e, muitas vezes, até a maneira como você enxerga o mundo.
Você passa a cuidar de alguém que depende de você para quase tudo.
E, sem perceber, começa a deixar algumas partes de si para depois.
Depois eu durmo.
Depois eu tomo banho com calma.
Depois eu volto a fazer aquilo que gosto.
Depois eu vejo minhas amigas.
Depois eu penso em mim.
Só que esse “depois” pode durar muito mais do que imaginávamos.
E, em algum momento, vem a pergunta:
“Onde foi parar aquela mulher que eu era?”
Se você se identifica com essa sensação, fique aqui comigo, você definitivamente não está sozinha.
A sensação de perda ou transformação da identidade após a maternidade é uma experiência bastante comum. Afinal, tornar-se mãe não é apenas acrescentar um novo papel à nossa vida. É uma mudança profunda na rotina, nas relações, nas prioridades e na própria percepção de quem somos.
E talvez exista algo importante para entendermos:
essa fase é intensa, mas ela não precisa ser permanente.
Isso não significa que você precise encontrar tempo para fazer mais uma coisa, criar mais um hábito ou equilibrar mais um pratinho.
Porque, sinceramente?A mãe já tem pratos demais para equilibrar.Talvez o primeiro passo seja outro.
Olhar para dentro.
Com calma, sem cobrança e sem a obrigação de voltar a ser quem você era antes.
Você não precisa encontrar a mulher de antes
Existe uma armadilha nessa busca pelo “eu de antes da maternidade”.
A gente pensa:“Eu preciso voltar a ser aquela pessoa.”Mas aquela pessoa não existe mais.E isso não é necessariamente uma coisa ruim.
Pense em um rio.
Ele continua sendo o mesmo rio, mas nunca é exatamente o mesmo de ontem. A água passou, encontrou novos caminhos, recebeu outras águas e seguiu seu curso.
Nós também somos assim.
A maternidade não precisa significar o fim de quem você era.Pode significar o começo de uma nova versão de você.E eu não estou falando isso para romantizar a maternidade.
Não quero dizer que toda transformação é linda, que devemos agradecer por tudo ou que as dificuldades simplesmente fazem parte de um processo bonito.
Não.
Existem dias difíceis.Existe cansaço.Existe saudade da liberdade que você tinha.Existe vontade de ficar sozinha.Existe culpa por sentir tudo isso.
E pode existir, inclusive, saudade de uma versão de você que parecia tão distante agora.Tudo isso pode coexistir com o amor pela sua cria.
Amar profundamente alguém não significa deixar de sentir falta de si mesma.
Mas então… como se encontrar?
Parece uma pergunta simples.Mas não é.Porque a realidade de uma mãe é completamente diferente da realidade de outra.Uma pode ter uma rede de apoio enorme.Outra pode fazer praticamente tudo sozinha.Uma pode voltar ao trabalho.Outra pode ficar em casa.Uma pode ter dinheiro e tempo para retomar atividades.Outra está apenas tentando conseguir tomar um banho em paz.
Por isso, não existe uma receita pronta.Mas existem algumas perguntas que podem ajudar.
1. O que ainda faz sentido para mim?
Talvez você descubra que algumas coisas que amava antes já não fazem tanto sentido.E tudo bem.Você adorava sair para barzinhos com os amigos e agora prefere um filme no sofá.
Gostava de passar horas em festas e hoje valoriza uma conversa tranquila.Antes queria estar sempre rodeada de pessoas e agora sente necessidade de alguns momentos sozinha.Isso também é autoconhecimento.
Não precisamos recuperar todos os gostos do passado.
Precisamos descobrir quais são os nossos gostos de agora.
2. O que eu fazia antes e sinto falta?
Aqui pode estar uma pista.
Talvez você sinta falta de ler.
De caminhar.
De ouvir música.
De escrever.
De cozinhar.
De se arrumar.
De conversar com uma amiga.
De sair sem hora para voltar.
Nem sempre será possível retomar exatamente como era antes.
Então, em vez de pensar:
“Não consigo mais fazer isso.”
experimente perguntar:
“Existe uma versão possível disso na minha realidade atual?”
Talvez você não consiga ler um livro inteiro em uma tarde.Mas talvez consiga ler cinco páginas antes de dormir.Talvez não consiga fazer aquela aula de dança de duas horas.Mas pode colocar uma música e dançar na sala enquanto o bebê brinca.
Pequenas adaptações também podem ser reencontros.
3. Cuidado com o que você consome nas redes sociais
Essa talvez seja uma das mais difíceis.Quando estamos cansadas, é muito fácil passar alguns minutos no celular.E quando percebemos…já passou uma hora.Você viu a rotina perfeita de outra mãe.A casa impecável.O corpo que voltou rapidamente.A mãe que trabalha, treina, cozinha, viaja, lê e ainda parece estar plena às sete da manhã.E você está ali, às três da madrugada, amamentando com um olho aberto e o outro fechando.
Não é uma comparação justa.
Escolha melhor o que entra na sua cabeça.
Se um perfil faz você se sentir constantemente inadequada, talvez ele não precise fazer parte da sua rotina.Procure conteúdos que acrescentem alguma coisa à sua vida.
E, por favor…cuidado com o celular durante a madrugada.Porque não existe perigo maior do que uma mãe amamentando às 3h da manhã e um carrinho de compras na plataforma online.😹
4. Repare no que você deseja, não apenas no que precisa fazer
Durante a maternidade, nossa cabeça pode ficar tão ocupada com necessidades que esquecemos dos desejos.
“O que meu filho precisa?”
“O que precisa ser feito em casa?”
“O que falta comprar?”
“O que preciso resolver amanhã?”
Mas tente, de vez em quando, fazer uma pergunta diferente:
“O que eu gostaria?”
Pode parecer pequena.
Mas é uma pergunta poderosa.
5. Olhe para você além do papel de mãe
Você é mãe.
Mas também é mulher.
Filha.
Amiga.
Profissional.
Companheira.
Irmã.
E, principalmente, é você.
Talvez alguns desses papéis estejam mais presentes agora e outros precisem esperar um pouco.Tudo bem.Mas não deixe que a palavra “mãe” seja a única palavra capaz de definir quem você é.
6. E as roupas?
Ah… as roupas.Talvez seu corpo tenha mudado.Talvez seu estilo tenha mudado.Talvez você abra o guarda-roupa e pense:
“Eu não me reconheço mais aqui.”
Isso também pode ser um sinal de transformação.Mas você não precisa sair comprando um guarda-roupa inteiro para provar que está começando uma nova fase.Comece observando:
O que você gosta de vestir hoje?
O que faz você se sentir confortável?
O que faz você se sentir bonita?
O que combina com a mulher que você está se tornando?
Talvez algumas peças precisem ir.
Talvez outras precisem chegar.
Mas esse também pode ser um processo de descoberta.
E esse assunto merece um texto só para ele.
Se vocês quiserem, posso falar mais sobre como reconstruir o estilo depois da maternidade sem gastar uma fortuna. 💜
Talvez você não esteja perdida
Talvez você esteja se conhecendo novamente.Talvez aquela mulher de antes tenha deixado algumas coisas pelo caminho.Talvez tenha levado outras com ela.Talvez esteja descobrindo novos desejos, novos limites, novas prioridades e novas formas de felicidade.
E talvez o seu trabalho agora não seja voltar a ser quem você era.
Talvez seja descobrir:quem você é hoje.
Sem pressa.Sem comparação.Sem a obrigação de dar conta de tudo.A maternidade pode ocupar muito espaço.Mas você também precisa existir dentro dela.Não como mais uma tarefa da lista.Não como mais uma cobrança.Mas como uma pessoa que merece ser cuidada também.Porque cuidar de quem cuida também é cuidado.
E talvez esse seja o primeiro passo para se encontrar:parar de procurar a mulher que você era e começar, aos poucos, a conhecer a mulher que você está se tornando.
Se você se identificou com esse texto, fica aqui comigo.
O Vivendo e Sendo nasceu justamente para isso:para a gente conversar sobre a vida real, sobre as mudanças que ninguém nos prepara para viver e sobre os pequenos caminhos que podem nos ajudar a viver com um pouco mais de sentido.
Você não precisa se encontrar inteira de uma vez.Às vezes, basta começar por uma pequena parte de você.
E você? Depois da maternidade, em algum momento sentiu que não se reconhecia mais? O que mudou em você?
Se quiser, me conta nos comentários. Talvez a sua história também ajude outra mãe a perceber que ela não está sozinha.


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