Um mês de cada vez: acompanhando o desenvolvimento do bebê

 


1º mês do bebê: o que ele enxerga, sente e começa a descobrir

Quando meu filho nasceu, eu tinha aquela sensação de que precisava aprender tudo de novo.

Mesmo já tendo sido mãe antes, muitos anos tinham passado. O bebê que estava nos meus braços agora era completamente diferente da adolescente que eu tinha criado. E, no meio daquele sono picado, das mamadas, das trocas de fralda e daquela sensação de “meu Deus, será que estou fazendo tudo certo?”, eu comecei a prestar atenção em uma coisa que sempre me despertou curiosidade: o que exatamente um bebê tão pequeno consegue perceber?

Ele enxerga? Reconhece a mãe? Escuta quando a gente fala? Entende alguma coisa? Por que mexe tanto os braços? Será que já está tentando fazer alguma coisa ou é tudo reflexo? Talvez você também tenha se feito essas perguntas.

E é por isso que quero começar uma série aqui no Vivendo e Sendo para acompanhar, mês a mês, algumas das descobertas que acontecem no desenvolvimento do bebê. Não como uma lista de tarefas que seu filho precisa cumprir até determinada data, muito menos como uma competição entre bebês. Depois do nosso último texto sobre comparação na maternidade, eu queria deixar isso bem claro desde o começo: acompanhar o desenvolvimento é diferente de comparar.

Acompanhar significa observar seu bebê, conhecer suas características, perceber mudanças e levar dúvidas para as consultas. O próprio Ministério da Saúde orienta que o desenvolvimento seja acompanhado continuamente pelos profissionais de saúde e pela família, justamente para perceber tanto o que está acontecendo normalmente quanto possíveis sinais que mereçam uma avaliação mais cuidadosa.

No primeiro mês, o bebê ainda está descobrindo este mundo

Nos primeiros dias e semanas, parece que o bebê passa boa parte do tempo dormindo, mamando e chorando. E, de certa forma, é mesmo uma fase muito voltada para essas necessidades básicas.

Mas isso não significa que ele esteja “parado”.

Desde o nascimento, o bebê já apresenta respostas e comportamentos que fazem parte do seu desenvolvimento. A Caderneta da Criança do Ministério da Saúde, por exemplo, registra como sinais a serem observados desde o nascimento a observação de um rosto, a reação a sons, determinados movimentos e a elevação da cabeça quando colocado de bruços.

A visão ainda está amadurecendo. No primeiro mês, o bebê consegue fazer contato visual e fixar o olhar por alguns segundos, além de acompanhar visualmente um objeto em uma trajetória horizontal curta. Também há preferência por objetos de alto contraste e formas simples.

Então, sim: aquele rostinho que parece estar olhando para você está começando a prestar atenção em você.

Talvez ele ainda não fique olhando demoradamente para o seu rosto como você imaginou durante a gravidez. Talvez pareça que olha e logo perde o foco. Isso faz parte da imaturidade visual dessa fase.

Por isso, não precisa transformar o momento em uma atividade superproduzida.

Chegue perto, converse, faça contato visual, sorria. Seu rosto, sua voz e seu cheiro já são estímulos importantes.

E ele escuta?

Sim.

O bebê já reage a sons desde o nascimento. Na avaliação do desenvolvimento proposta pelo Ministério da Saúde, a reação ao som é um dos aspectos observados desde essa fase.

É por isso que conversar com o bebê desde cedo faz sentido, mesmo quando você tem a impressão de estar falando sozinha.
Você pode contar o que está fazendo enquanto troca a fralda, cantar durante o banho, conversar enquanto amamenta ou dá a mamadeira.Não precisa inventar uma aula de estimulação.

Pode ser simplesmente:“Agora a mamãe vai trocar sua roupa.”“Olha quem chegou!”“Vamos tomar banho?” 

É justamente nessa interação cotidiana que o bebê vai tendo contato com vozes, expressões, sons, ritmo e, principalmente, com a presença de quem cuida dele.O Ministério da Saúde destaca a importância da ligação entre o bebê e sua família desde o início e recomenda conversar com a criança buscando contato visual.

E aqueles movimentos todos?

No primeiro mês, o bebê ainda tem um controle corporal bastante limitado. Os movimentos dos braços e das pernas acontecem de maneira muito diferente dos movimentos intencionais que vamos observar mais para frente.

E aqui entra uma coisa importante: não espere que um bebê de um mês “faça exercícios” como se estivesse treinando uma habilidade.

O que podemos oferecer é oportunidade para ele se movimentar com segurança.

Um exemplo é o tempo de bruços, sempre acordado e supervisionado, por períodos adequados à tolerância do bebê. A própria Caderneta da Criança inclui a observação da elevação da cabeça nessa posição, acompanham o desenvolvimento do controle da cabeça nessa fase inicial.

Pode ser no colo, no peito do adulto ou em uma superfície firme e segura, conforme a orientação recebida para aquele bebê.E não precisa durar meia hora.Às vezes serão alguns segundos. Depois um pouco mais. Às vezes ele vai reclamar como se você tivesse acabado de cometer a maior injustiça da história. 

O importante é oferecer a oportunidade e observar.

Para dormir, porém, a história é outra: o bebê deve ser colocado para dormir em posição segura, e o tempo de bruços é uma atividade para quando ele estiver acordado e sob supervisão.

Enquanto o bebê está se desenvolvendo, a mãe também está

E talvez essa seja uma parte que eu queira trazer em todos os textos dessa série.

Porque é muito fácil falar sobre o que o bebê está aprendendo e esquecer que a mãe também acabou de nascer para uma nova versão dela mesma.

No primeiro mês, o corpo ainda está se recuperando da gestação e do parto. Existe cansaço, alteração hormonal, noites fragmentadas, mudanças emocionais e, dependendo da situação, recuperação de pontos, cesariana, dor, sangramento e outras particularidades.

Então, quando falarmos de “exercícios” nessa fase, eu não quero cair naquela conversa de recuperar o corpo rapidamente.

O primeiro exercício pode ser respirar com calma.

Pode ser levantar e caminhar um pouco pela casa, quando isso estiver liberado e confortável.

Pode ser fazer os movimentos orientados pela equipe que acompanha seu pós-parto.

E, principalmente, pode ser respeitar o próprio corpo.

O retorno às atividades físicas depois do parto não é igual para todas as mulheres. Tipo de parto, presença de complicações, dor, cicatrização, condições de saúde e orientação individual fazem diferença.

A maternidade já coloca pressão suficiente sobre a gente. Não precisamos acrescentar mais uma:

“Meu bebê está fazendo tudo.”

“E eu já deveria estar fazendo exercícios.”

Calma.

Um está conhecendo o mundo.

A outra está se recuperando de ter criado uma pessoa dentro do próprio corpo.

O primeiro mês não precisa ser uma prova

Talvez você veja um bebê da mesma idade sorrindo, sustentando melhor a cabeça ou parecendo muito mais atento e pense:

“Será que o meu está atrasado?”

É justamente aqui que quero fazer uma pausa.

Um marco de desenvolvimento não é uma data de validade.

As referências de desenvolvimento existem para ajudar famílias e profissionais a observar a criança.Isso é bem diferente de dizer:

“Seu bebê tem até o dia 30 para fazer isso.”

Não é assim.

O desenvolvimento acontece de maneira gradual e envolve diferentes áreas: movimento, comunicação, interação social, percepção e aprendizagem. E cada criança tem sua própria trajetória.

Isso não significa ignorar sinais de preocupação.

Se alguma coisa chamar sua atenção, se você perceber que o bebê não está fazendo algo que esperava, se houver perda de uma habilidade ou simplesmente aquela sensação de mãe de que “tem alguma coisa que não está legal”, leve a dúvida para o pediatra ou outro profissional que acompanha a criança. Não é preciso esperar o próximo marco para perguntar.Acompanhar é justamente isso.

Observar sem transformar a observação em cobrança e talvez seja essa a melhor maneira de começar essa nossa série.

Nos próximos meses, vamos olhar juntos para aquilo que o bebê vai descobrindo: o próprio corpo, as mãos, os sons, os objetos, os movimentos, as pessoas ao redor e, aos poucos, o mundo inteiro.

Um mês de cada vez.

Sem corrida.

Sem ranking.

Sem aquela sensação de que alguém está fazendo maternidade melhor porque o bebê sentou três semanas antes.

Só observando, conhecendo e aprendendo junto.

Porque, no fim das contas, acompanhar o desenvolvimento do bebê também pode ser uma maneira bonita de perceber o quanto ele está crescendo diante dos nossos olhos.

E o quanto nós também estamos.


 Série “Um mês de cada vez”

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