Você abre o Instagram sem pensar muito. Está ali, tomando café, esperando o bebê dormir ou simplesmente tentando conseguir cinco minutos de paz, até que aparece um comentário: “Ah, mas o meu já fazia isso com 4 meses”. E pronto. Aquela frase que nem era para você começa a ficar na sua cabeça.
Se você nunca se pegou comparando a sua maternidade com a de alguém nas redes sociais, me conta aqui… porque esse é um caminho que pode nos adoecer. E talvez aquela mãe nem tenha escrito aquilo com a intenção de se comparar. Talvez estivesse apenas compartilhando uma conquista, feliz com o desenvolvimento do filho. Afinal, é natural querer dividir uma coisa que nos deixa feliz. O problema é que a gente nunca sabe quem está do outro lado da tela. Pode ser uma mãe tranquila, comemorando junto, mas também pode ser uma mãe vivendo a dor de um filho que ainda não faz aquela determinada coisa, que não tem aquele peso ou aquele tamanho esperado, ou que está passando por alguma investigação e já está cheia de dúvidas dentro da própria cabeça.
A internet é uma excelente fonte de informação e troca. Eu mesma já aprendi muita coisa por aqui, encontrei outras mães, descobri experiências diferentes da minha e tantas vezes encontrei uma resposta para aquela dúvida que estava me incomodando. Mas existe um outro lado. Se a gente não souber administrar tudo o que vê, algumas informações deixam de ser apenas informação e começam a ficar martelando na nossa cabeça. Um comentário aqui, um vídeo ali, uma mãe contando que o filho dorme a noite toda, outra dizendo que o bebê já engatinha, outra comemorando o peso, outra falando que com três meses já fazia determinada coisa… e, quando percebemos, estamos fazendo uma comparação que ninguém pediu para fazer.
“Será que o meu já deveria fazer isso?” “Será que está dentro do esperado?” “Por que o filho dela já faz e o meu ainda não?” A gente sabe, racionalmente, que cada criança tem seu tempo, mas saber disso não significa que estamos imunes. E eu falo isso também para mim, porque seria muito fácil escrever esse texto como se eu estivesse aqui, do alto da minha experiência, ensinando outras mães a não se compararem. Não estou. Eu também me pego pensando, pesquisando e fazendo aquelas continhas mentais que, no fundo, não ajudam em absolutamente nada.
A gente precisa aprender a ser mais gentil com nós mesmas.
E tem uma coisa que eu sempre penso nessas horas: por que somos tão mais gentis com uma amiga do que somos conosco? Quando uma mãe querida chega para a gente preocupada, dizendo que acha que não está fazendo o suficiente, provavelmente nossa primeira reação é acolher. A gente fala “calma”, lembra que cada criança tem seu tempo, diz que ela está fazendo o melhor que pode. Então por que, quando somos nós nessa mesma situação, parece tão difícil oferecer esse mesmo carinho para nós mesmas?
Quando a maternidade vira uma competição
Talvez seja por isso que eu gostei tanto de um episódio de Bluey chamado “Competição de Bebês”. Se você ainda não teve a oportunidade de assistir ao desenho, esse momento vai chegar… rs. Nesse episódio, a Chili, mãe da Bluey, participava de um grupo de mães quando teve sua primeira filha. Em determinado momento, a Bluey foi o primeiro bebê do grupo a virar, e aquilo deixou a Chili encantada. Ela começou a enxergar aquela conquista como uma espécie de prova de que sua bebê era especial, até que outro bebê do grupo sentou primeiro, a Judo. E aí, sem perceber, a Chili entrou numa competição.
Ela queria que a Bluey sentasse logo, depois viesse o engatinhar, o apoiar, o andar… e, mesmo com o médico dizendo que estava tudo bem com a bebê, ela começou a se culpar. Chili estudava, tentava estimular, acompanhava tudo de perto e, ainda assim, sentia que estava falhando como mãe. Até que uma outra mãe, que já tinha outros filhos, foi visitá-la e disse uma coisa muito simples, mas que mudou completamente a forma como ela estava enxergando tudo aquilo: ela tinha certeza de que Chili estava indo muito bem.
E foi aí que Chili percebeu que a maternidade não era uma competição entre bebês. Cada criança tem seu próprio tempo e, quando aquela pressão deixou de existir, as coisas ficaram mais leves.
Eu gosto muito dessa história porque acho que fazemos isso o tempo todo, só que de maneiras diferentes. Não colocamos nossos filhos literalmente numa competição, mas criamos pequenas corridas invisíveis. Quem sentou primeiro, quem engatinhou primeiro, quem andou primeiro, quem falou primeiro, quem dormiu a noite toda, quem ganhou peso mais rápido, quem já come sozinho… e, sem perceber, começamos a transformar o desenvolvimento dos nossos filhos em uma espécie de avaliação da nossa própria maternidade.
Mas acompanhar o desenvolvimento é uma coisa. Se preocupar quando existe alguma dúvida, conversar com o pediatra, acompanhar as consultas e procurar ajuda quando necessário faz parte de cuidar. Outra coisa completamente diferente é olhar para o filho de alguém e usar aquilo como régua para medir o seu.
Seu filho não precisa estar na frente. E você não precisa estar fazendo tudo certo o tempo inteiro para ser uma boa mãe.
Talvez a gente precise aprender a olhar menos para o que o bebê da outra pessoa já está fazendo e mais para o bebê que está bem ali, na nossa frente. Observar, conhecer, acompanhar, comemorar as pequenas conquistas e também entender que nem todo desenvolvimento acontece no mesmo ritmo. E, principalmente, lembrar que uma mãe não precisa transformar cada comentário da internet em um julgamento sobre si mesma.
Quero muito que esse espaço aqui, o Vivendo e Sendo seja um pouquinho como aquela mãe que acolheu a Chili. Um lugar onde, em meio a tanta informação, comparação e cobrança, você pode respirar por alguns minutos e lembrar de uma coisa que talvez ninguém tenha te dito hoje:
Você está indo muito bem. 💜
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