Meu cabelo está caindo! Queda de cabelo depois do parto é normal?



Se tem uma coisa que ninguém avisa direito sobre o pós-parto é que, depois de alguns meses, você pode começar a olhar para o ralo do banheiro e pensar: " Meu Deus, vou ficar careca!"
Você passa a mão no cabelo e vem um tufo. Escova e fica cabelo na escova. Lava e parece que o banheiro ganhou uma nova camada de revestimento.

Em muitos casos, isso faz parte do pós-parto.

Durante a gestação, as alterações hormonais, especialmente o aumento do estrogênio, fazem com que mais fios permaneçam na fase de crescimento. Depois do parto, com a queda desses hormônios, muitos desses fios entram juntos na fase de repouso e acabam sendo eliminados algumas semanas ou meses depois.

É o chamado eflúvio telógeno.

E é justamente por isso que a queda muitas vezes não começa imediatamente depois que o bebê nasce. Ela costuma aparecer alguns meses depois, podendo ficar mais intensa por volta do quarto mês. Na maioria das mulheres, a densidade do cabelo vai se recuperando gradualmente ao longo dos meses seguintes.

Em outras linhas, você pode estar com um bebê de três ou quatro meses no colo, tentando entender por que ele resolveu não dormir mais, e ainda ganhar de presente uma quantidade absurda de cabelo no travesseiro. Porque aparentemente o pós-parto gosta de trabalhar com o teste completo de paciência..hahaha

Mas tem alguma coisa que eu possa fazer?

Se for realmente um eflúvio telógeno pós-parto, infelizmente existe um truque natural capaz de simplesmente “parar” a queda. O mais importante é cuidar das condições que ajudam o cabelo a crescer novamente e evitar acrescentar outros fatores que possam piorar a queda.

Uma alimentação adequada é uma dessas coisas.

Principalmente proteína suficiente, ferro e outros nutrientes, de acordo com as necessidades de cada pessoa. Dietas muito restritivas, perda rápida de peso e ingestão insuficiente de calorias ou proteínas também podem contribuir para queda de cabelo.

Então talvez a dica mais simples seja também uma das menos vendidas: Coma comida "de verdade": Arroz, feijão, ovos, carnes ou outras fontes de proteína, verduras, legumes, frutas, cereais e alimentos ricos em ferro podem fazer parte de uma alimentação adequada.

E não precisa transformar isso em uma busca desesperada pela “vitamina perfeita para o cabelo”.

Aliás, é justamente aqui que eu teria bastante cuidado.

E as vitaminas? Preciso suplementar?

Não é uma boa ideia começar a tomar ferro, biotina, zinco ou um “complexo para cabelo” por conta própria só porque o cabelo está caindo.

Deficiências nutricionais podem contribuir para queda de cabelo, mas suplementar sem saber se existe deficiência não necessariamente ajuda,e alguns nutrientes em excesso podem inclusive ser prejudiciais. A Academia Americana de Dermatologia recomenda investigar a necessidade de suplementação e, quando indicado, confirmar deficiência por avaliação médica e exames.

Dependendo da história da mulher, do padrão da queda e de outros sintomas, o médico pode considerar exames para investigar, por exemplo, anemia/estoques de ferro e alterações da tireoide, além de outras vitaminas e minerais quando houver indicação.

E existe outro detalhe: biotina em altas doses não é aquela vitamina inocente que “quanto mais, melhor”. Além de não haver benefício comprovado para todo mundo, suplementos podem causar efeitos indesejados e a biotina pode interferir em alguns exames laboratoriais.

E quando é hora de procurar um médico?

Aqui eu colocaria uma parte bem clara, porque é onde o post deixa de ser só uma conversa sobre uma coisa comum do pós-parto.

Dermatologista seria minha primeira escolha se a queda estiver incomodando muito, se houver dúvida sobre a causa ou se o cabelo não estiver recuperando a densidade ao longo do tempo. O dermatologista consegue diferenciar um simples aumento da queda de outras formas de alopecia e decidir se são necessários exames.

O endocrinologista pode entrar na investigação quando houver suspeita de alterações hormonais ou da tireoide, por exemplo. Alterações da tireoide também podem causar afinamento e aumento da queda dos cabelos.

Eu procuraria avaliação especialmente se:

  • a queda estiver muito intensa ou persistente;
  • aparecerem falhas ou áreas sem cabelo, em vez de uma queda difusa;
  • houver coceira, dor, descamação ou inflamação no couro cabeludo;
  • o cabelo estiver ficando progressivamente mais fino em determinadas regiões;
  • houver outros sintomas que possam sugerir anemia ou alteração da tireoide;
  • a densidade não estiver melhorando com o passar dos meses.

A própria AAD orienta procurar um dermatologista quando a queda preocupa e destaca que, se o cabelo não recuperar a densidade esperada ao longo do tempo, pode existir outra causa além do eflúvio pós-parto.

E alguns cuidados simples enquanto isso...

Eu fecharia com coisas bem práticas, sem prometer milagres:

💜 Cuide sem agredir

Eu sei que o "coque" que nos salva no dia a dia, mas evite prender o cabelo muito apertado, desembarace com delicadeza e reduza procedimentos que causem muita tração ou dano aos fios.

💜 Não precisa lavar menos o cabelo

Lavar o cabelo não “faz o cabelo cair”. O que acontece é que os fios que já estavam na fase de queda acabam aparecendo juntos durante a lavagem, dando aquela impressão assustadora de que você perdeu metade da cabeça de uma vez.

💜 Não faça dieta maluca

O pós-parto já é uma fase de muita demanda para o corpo. Restrição calórica importante e baixa ingestão de proteína podem contribuir para queda.

💜 Tenha paciência com o ciclo do cabelo

Essa talvez seja a parte mais difícil.

Você pode fazer tudo direitinho e ainda assim continuar encontrando cabelo no ralo por um tempo.

Porque cabelo tem um ciclo próprio.


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