Quase 16 anos é a diferença entre meus dois filhos. É bastante tempo. Tempo suficiente para eu ser outra mulher, estar em outra fase da vida, ter outras preocupações, outras responsabilidades e, principalmente, ter mudado muito desde a primeira vez que fui mãe.
Quando descobri que seria mãe novamente, confesso que em alguns momentos parecia que eu estava começando tudo de novo. Bebê pequeno, noites maldormidas, mamadeiras, introdução alimentar, consultas, preocupações que eu nem lembrava mais como eram, tummy time, ruído branco, osteopata,fisioterapia respiratória, não vivenciei isso com a primeira filha... Só que, ao mesmo tempo, eu sabia que não estava começando do zero. Eu já tinha vivido aquilo antes. Já sabia o tamanho da mudança que um bebê provoca na rotina, já conhecia aquele amor meio inexplicável que chega junto com o nascimento e já tinha aprendido que, por mais que a gente leia, pesquise e tente se preparar, tem coisa que simplesmente só se aprende vivendo e principalmente, por mais que no meio do turbilhão de emoção que é o início da maternidade, passa rápido e de verdade, passa.
Quando minha filha nasceu, eu também estava me descobrindo. Era outra idade, outra fase, outra mulher. Hoje eu olho para aquela mãe e consigo enxergar coisas que naquela época eu nem percebia. Algumas escolhas eu faria diferente, algumas preocupações hoje parecem pequenas e outras continuam fazendo todo sentido. Acho que isso faz parte de crescer: a gente não apaga quem foi, só passa a enxergar aquela versão de nós mesmas com um pouco mais de carinho e compaixão.
E agora eu me vejo vivendo uma situação que, se alguém tivesse me contado alguns anos atrás, provavelmente eu acharia engraçada. Tenho uma filha entrando na fase do vestibular e um filho entrando na famosa terrible two. De um lado, conversas sobre faculdade, profissão, futuro, escolhas e aquele friozinho na barriga de perceber que a infância está ficando para trás. Do outro, alguém descobrindo a palavra "não" e usando com uma convicção que eu sinceramente admiro. 😂
É quase como viver duas pontas da maternidade ao mesmo tempo.
Um está começando a pensar na vida adulta e o outro ainda está tentando descobrir por que não pode mexer em tudo que encontra pela frente. Um está crescendo para ganhar cada vez mais independência e o outro ainda precisa de ajuda para praticamente tudo. E eu fico ali, no meio disso tudo, tentando acompanhar os dois.
Ser mãe pela segunda vez depois de tantos anos é desafiador, claro. Mas, pensando bem, qual fase da maternidade não é? Quando eles são pequenos, existe o cansaço, o sono, a preocupação com cada febre, cada alimentação, cada fase nova. Quando crescem, aparecem outras preocupações, outros medos, outras conversas. A maternidade não fica necessariamente mais fácil. Ela só vai mudando de assunto.
E talvez seja isso que eu mais tenha percebido dessa segunda maternidade: eu não voltei a ser a mãe que eu era quase 16 anos atrás. Eu não precisava voltar. Eu trouxe aquela mãe comigo, com tudo o que ela viveu, aprendeu, errou e acertou. Mas trouxe também tudo o que aconteceu depois. As experiências, as mudanças, as coisas que aprendi sobre mim, sobre a vida e sobre ser mãe.
Meu segundo filho não encontrou a mesma mãe que minha filha encontrou. E isso não é ruim. É só verdade.
Ele encontrou uma mãe mais velha, mais consciente de algumas coisas e completamente perdida em outras. Uma mãe que sabe que as fases passam rápido, mas que também sabe que, enquanto elas estão acontecendo, algumas parecem durar uma eternidade. Uma mãe que talvez tenha menos pressa de fazer tudo "certo" e mais vontade de simplesmente viver algumas coisas.
E tem algo bonito nisso tudo: perceber que meus filhos estão vivendo momentos tão diferentes e, ainda assim, os dois continuam fazendo parte da mesma história.
Enquanto uma se prepara para escolher os próximos passos da própria vida, o outro ainda está descobrindo o mundo. E eu vou acompanhando os dois, cada um no seu ritmo, tentando lembrar que não preciso viver nenhuma dessas fases perfeitamente.
Um parenteses aqui, não é porque tem tantos anos de diferença que eles não tem aquele tal 'momento irmão' de um encher o saco do outro, juro que isso é algo peculiar de se presenciar.
Acredito que ser mãe pela segunda vez não seja começar tudo de novo.
É continuar uma história que ganhou um capítulo que eu nem sabia que faltava.
E, sinceramente, eu ainda não sei exatamente como termina.
Por enquanto, estou aqui.
Entre o vestibular de um e a terrible two do outro.
Vivendo e sendo mãe de dois, em fases completamente diferentes, e descobrindo que talvez seja justamente essa a parte mais bonita de tudo. 💜
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