Quando descobrimos uma gravidez, é comum começarmos a planejar.
Enxoval, carrinho, berço, parto, quarto do bebê…
Fazemos listas, pesquisamos preços e, quando percebemos, já temos uma estimativa de quanto pretendemos gastar.Mas existe uma parte desse planejamento que, muitas vezes, fica de fora: os gastos que surgem no caminho.
A obstetra indica fisioterapia pélvica, depois alguém fala sobre laser, aí surge a necessidade de um medicamento, uma vitaminas,cremes, oleos,uma consulta que não estava prevista ou algum acompanhamento complementar que você nunca tinha ouvido falar.
E aí pensamos: “Espera… isso também faz parte?”
Nem sempre.E essa é justamente a questão.Ao entrarmos em um universo que, até então, era desconhecido para nós, vamos descobrindo novas possibilidades, necessidades e escolhas.
E, convenhamos, quanto mais pesquisamos, mais coisas aparecem. hehehe
A proposta deste texto não é criar uma nova lista de gastos para você se preocupar.
É apenas trazer uma reflexão: como podemos nos preparar financeiramente para aquilo que ainda nem sabemos que pode acontecer?
O planejamento não precisa prever tudo
A verdade é que não existe como antecipar todos os gastos de uma gestação ou do início da maternidade.Você pode ter uma gravidez tranquila e praticamente não precisar de nenhum gasto extra.
Ou pode surgir uma recomendação médica, uma necessidade específica ou simplesmente algo que faça sentido para você e sua família.O objetivo, então, não é tentar adivinhar tudo e sim criar uma pequena margem para os imprevistos.
Porque, quando surge um gasto inesperado e não existe nenhum planejamento, muitas vezes a solução acaba sendo:parcelar.Usar o cartão.Entrar no cheque especial.Ou comprometer um dinheiro que já tinha outro destino.
E, em uma fase que já traz tantas mudanças, uma preocupação financeira pode acabar pesando ainda mais.
Crie uma reserva para os “a gente não sabia disso”
Talvez você já tenha uma reserva de emergência. Se sim, ótimo.
Mas, se estiver planejando a gestação ou ainda no início dela, pode fazer sentido criar uma reserva específica para gastos extras desse período.
Pode chamar de:
* Reserva da gestação
* Caixinha dos imprevistos
* Fundo “e agora?” kkk
O nome não importa tanto.
A ideia é separar, dentro da sua realidade, um valor para aquilo que não estava previsto inicialmente.Essa reserva pode ajudar, por exemplo, caso surjam gastos com:
- medicamentos;
- vitaminas ou suplementos;
- consultas;
- exames;
- fisioterapia pelvica;
- tratamentos ou acompanhamentos recomendados;
- itens relacionados ao pós-parto;
- adaptações necessárias na rotina;
- outras despesas que simplesmente aparecem no caminho.
Não significa que você vai precisar gastar com tudo isso.
E esse é justamente o ponto: não estamos criando uma lista de coisas que você precisa comprar ou fazer.
Estamos apenas criando espaço no planejamento para o inesperado.
Comece pelo prazo e não pelo valor
Uma dica prática é pensar:
Quanto tempo tenho até o nascimento do bebê?
Depois, defina uma meta que faça sentido para a sua realidade.Por exemplo:
Você gostaria de ter R$ 3.000 reservados até o nascimento. Se faltar 8 meses.A ideia seria guardar, em média:R$ 375 por mês.
Mas talvez R$ 375,00 não caiba no orçamento.Então adapte.Pode ser R$ 100.R$ 50.
Ou um valor maior em alguns meses e menor em outros.
O mais importante é não transformar essa reserva em mais uma fonte de culpa.
Planejamento financeiro não é sobre fazer o plano perfeito. É sobre criar alternativas antes de precisar delas.
E se eu não conseguir criar uma grande reserva?
Tudo bem.Nem sempre teremos condições de guardar grandes valores, principalmente quando já existem outros gastos acontecendo.Nesse caso, vale olhar para o planejamento como um todo.
Antes de comprar mais um item para o enxoval, talvez seja interessante perguntar:
Eu realmente preciso comprar isso agora?
Alguns itens podem esperar o bebê nascer, outros podem ser comprados usados, alguns podem ser emprestados.E existem gastos que podem ser pesquisados com antecedência, mesmo que você ainda não saiba se precisará deles.
Essa reflexão conversa muito com o que já falamos aqui sobre enxoval consciente: ter menos coisas não significa estar menos preparada.
Às vezes, significa apenas que você está deixando uma margem maior para aquilo que ainda não conhece.
Pesquise, mas não entre em uma espiral de gastos
Esse talvez seja o ponto mais delicado.Hoje temos acesso a uma quantidade enorme de informações.Você pesquisa sobre gravidez e, de repente, parece que existem dezenas de coisas que você precisa fazer, comprar ou contratar.
Mas informação não precisa virar obrigação.
Sua obstetra pode indicar um acompanhamento.
Uma amiga pode ter amado determinado tratamento.
Uma influenciadora pode dizer que algo foi indispensável.
Tudo isso pode ser útil para você conhecer possibilidades.Mas conhecer não significa que você precisa fazer tudo.
Vale conversar com os profissionais que acompanham sua gestação, entender a recomendação e avaliar:
- Isso é uma necessidade para mim?
- Qual é o objetivo desse acompanhamento?
- Existe outra alternativa?
- Isso cabe no meu orçamento?
- Posso pesquisar valores?
- Posso decidir sobre isso mais para frente?
Porque cuidar da saúde também envolve fazer escolhas possíveis dentro da nossa realidade.
Talvez a maior preparação seja ter margem
Não conseguimos controlar todos os acontecimentos da gravidez, do parto ou do pós-parto.E, financeiramente, também não,mas podemos tentar criar uma pequena margem.Uma reserva,um planejamento, menos compras por impulso. mais consciência sobre o que realmente precisamos.
E, principalmente, a liberdade de não precisar entrar em desespero toda vez que surgir algo que não estava naquela primeira planilha.
Porque, convenhamos, na maternidade parece que sempre existe um:“Ah, mas você já pensou em…?”
E talvez a resposta seja:Ainda não. Mas, se fizer sentido para mim, eu posso pensar nisso agora.
Para finalizar
Se você está planejando uma gravidez, está gestante ou já vive o início da maternidade, talvez não seja possível prever tudo.Mas pode ser possível se preparar um pouquinho para o inesperado.Não precisa ser uma reserva enorme e muito menos precisa ser perfeita.Só precisa fazer sentido para a sua realidade.
Porque, no final, planejamento financeiro também é isso: não ter todas as respostas, mas tentar construir um pouco mais de tranquilidade para quando as perguntas aparecerem.
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